Marcos Campos

DECOMPOSIÇÕES

A pintura de Eduardo Garcia revela de imediato seu processo de feitura: São três superfícies, que aliadas em suas matérias específicas criam um estado expressivo. O suporte é sempre um têxtil que excede sua função de mero campo fixador, uma vez que sua própria textura é parte da linguagem (Eduardo é um especialista em tecidos). A etapa seguinte é a interferência da pasta texturizante sobre o tecido, que tanto pode ser esticado sobre o chassis convencional como colado sobre madeira. Esse último procedimento é uma experiência recente do artista para melhor controlar a aplicação que se verifica de fato a criação do corpo da pintura. Nessa segunda etapa, ocorrem as indicações de movimento, de uma plasticidade instável e ativa. Algumas reservas, “janelas", são produzidas para que o campo texturizado da pasta-corpo-pré-pictórica firme o testemunho do tecido base. A interferência final acontece quando o pigmento líquido, fluido, escorre sobre o todo anterior numa leve película, que não é cor, propriamente, mas pátina de leve transparência. A essência de suas vivências de surfista busca para alêm das meras imagens esgotadas. O íntimo registro, ainda que por instantes, na água. E é ela, a água, rainha das metamorfoses, o cerne de sua poética surgindo para além do liquefeito, em seu mais sutil estado – puro gás! Eduardo segura suas ondas com mãos de hábil domador para entragá-las vivas, encharcadas de beleza.

Marcos Campos. Professor da História de Arte da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Exposição no Centro Cultural dos Correios, 2014

Exposição no Centro Cultural dos Correios, 2014

DECOMPOSIÇÕES

A pintura de Eduardo Garcia revela de imediato seu processo de feitura: São três superfícies, que aliadas em suas matérias específicas criam um estado expressivo. O suporte é sempre um têxtil que excede sua função de mero campo fixador, uma vez que sua própria textura é parte da linguagem (Eduardo é um especialista em tecidos). A etapa seguinte é a interferência da pasta texturizante sobre o tecido, que tanto pode ser esticado sobre o chassis convencional como colado sobre madeira. Esse último procedimento é uma experiência recente do artista para melhor controlar a aplicação que se verifica de fato a criação do corpo da pintura. Nessa segunda etapa, ocorrem as indicações de movimento, de uma plasticidade instável e ativa. Algumas reservas, “janelas", são produzidas para que o campo texturizado da pasta-corpo-pré-pictórica firme o testemunho do tecido base. A interferência final acontece quando o pigmento líquido, fluido, escorre sobre o todo anterior numa leve película, que não é cor, propriamente, mas pátina de leve transparência. A essência de suas vivências de surfista busca para alêm das meras imagens esgotadas. O íntimo registro, ainda que por instantes, na água. E é ela, a água, rainha das metamorfoses, o cerne de sua poética surgindo para além do liquefeito, em seu mais sutil estado – puro gás! Eduardo segura suas ondas com mãos de hábil domador para entragá-las vivas, encharcadas de beleza.

Marcos Campos. Professor da História de Arte da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Exposição no Centro Cultural dos Correios, 2014

Exposição no Centro Cultural dos Correios, 2014